"Kosi ewe, kosi orisá"

Economia solidária

agroecologia

ubuntu

Para as religiões afro-brasileiras, as plantas são imprescindíveis - "Kosi ewe, kosi Orisá" (“Sem folha, não há Orixá”), diz um velho provérbio nagô. Portanto, as matas e/ou florestas são espaços sagrados para o Candomblé. 

Na paisagem de alguns Terreiros encontram-se matas e árvores fundamentais para o culto às energias denominadas de Orixás, Inquices, Voduns, Caboclos ou Encantados, a depender da sua respectiva nação ou origem. 

Embora boa parte das áreas verdes de territórios urbanos venha diminuindo ao longo do tempo, em virtude da especulação imobiliária, são nas áreas de terreiros, ou de seus usos, que ainda encontram-se as poucas reservas de Mata Atlântica existentes em Salvador e na Região Metropolitana.

Além da intensa especulação imobiliária, essas áreas ainda  estão em permanente ameaça pela concentração da população socialmente excluída em bairros populares, que crescem de forma densa e aleatória.

Economia Solidária é um jeito diferente de produzir, vender, comprar e trocar o que é preciso para viver. Sem explorar os outros, sem querer levar vantagem, sem destruir o ambiente. Cooperando, fortalecendo o grupo, cada um pensando no bem de todos e no próprio bem. 

A economia solidária vem se apresentando, nos últimos anos, como inovadora alternativa de geração de trabalho e renda e uma resposta a favor da inclusão social. Compreende uma diversidade de práticas econômicas e sociais organizadas sob a forma de cooperativas, associações, clubes de troca, empresas auto- gestionárias, redes de cooperação, entre outras, que realizam atividades de produção de bens, prestação de serviços, finanças solidárias, trocas, comércio justo e consumo solidário. 

Nesse sentido, compreende-se por economia solidária o conjunto de atividades econômicas de produção, distribuição, consumo, poupança e crédito, organizadas sob a forma de autogestão.

(http://portal.mte.gov.br/ecosolidaria/o-que-e-economia-solidaria.htm)

Agroecologia é uma prática que visa a implementação de um novo paradigma produtivo, através de uma tecnologia agrícola e social desenvolvida para ser socialmente justa, economicamente viável e ecologicamente sustentável.

Ela é socialmente justa, porque visa a geração de renda equilibrada entre os produtores. Pautada na promoção da justiça social e da solidariedade, contrapõe-se ao atual modelo produtivo, de exploração da mão de obra e acumulação de capital.

É economicamente viável, pois produz de forma eficiente e limpa, consumindo, sem desperdícios, recursos naturais estritamente necessários ao cultivo, e usa mão de obra local, historicamente afeita à prática agrícola.

É ecologicamente sustentável, na medida em que considera a agricultura como parte de um sistema vivo, em equilíbrio com os elementos do ambiente, e evita ao máximo sua degradação. Toda a produção é feita sem uso de agrotóxicos, considerando ainda o uso racional dos recursos naturais, como os mananci-ais de água potável.

Palavra de origem bantu, sem tradução para outros idiomas, UBUNTU é um conceito filosófico de diversos povos do continente africano, especialmente daqueles situados na porção mais meridional do continente.

Sua essência, normalmente traduzida pela expressão "eu sou o que sou pelo que nós somos", está ligada à ideia de que nossas ações devem respeitar os interesses da coletividade.

Ubuntu caminha na contramão da individualidade e da competição, tendo a ajuda e o respeito mútuos como premissas em prol do que deve ser responsabilidade de todos: o bem estar social.

Está, pois, intimamente ligada às noções de solidariedade e cooperação, devendo nortear nossas atitudes em todas os aspectos da vida cotidiana, inclusive na esfera do trabalho.

"Uma pessoa com Ubuntu está aberta e disponível aos outros, assegurada pelos outros, não se sente intimidada que os outros sejam capazes e bons, pois tem a autoconfiança que vem do conhecimento do seu próprio lugar no grande todo."
(Desmond Tutu)


RHOL – Rede de Hortos de Plantas Medicinais e Litúrgicas